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Protocolo P4-14: o 4º manejo que promove resultados

Reprodução

Terça-feira, 20 de Dezembro de 2016

Por Bruno Gonzalez de Freitas, especialista técnico em reprodução animal na Ourofino Saúde Animal

A inseminação artificial em tempo fixo (IATF) é uma das principais biotecnologias da reprodução atualmente associadas aos programas de manejo reprodutivo das propriedades brasileiras. Estima-se que a quantidade total de protocolos para IATF comercializada no Brasil no ano de 2015 ultrapassou a casa dos 10 milhões. Entretanto, apenas de 10 a 12% das fêmeas em idade reprodutiva no Brasil são inseminadas, demonstrando que a tecnologia ainda possui muito espaço para crescer, estendendo vantagens aos produtores, auxiliando a pecuária nacional a ser cada vez mais sustentável, produtiva e rentável.

Diversos são os fatores que influenciam o estabelecimento gestacional após os protocolos de IATF, sendo alguns dos mais importantes:

  • Escore de condição corporal das fêmeas, que reflete o status nutricional das mesmas;
  • Sêmen a ser utilizado, visto que o uso de sêmen de determinados reprodutores resulta em maior taxa de prenhez;
  • Equipes capacitadas certamente auxiliam na obtenção de bons índices;
  • O tipo de protocolo a ser utilizado pode influenciar a taxa de concepção.

Com relação ao último item acima citado, diversos trabalhos publicados recentemente têm tentado demonstrar qual seria o melhor protocolo de sincronização a ser aplicado nas diferentes categorias de fêmeas das propriedades. As principais dúvidas que assombram os técnicos que trabalham com os programas reprodutivos giram em torno da duração do protocolo (8 ou 9 dias de dispositivo de progesterona) e número de manejos até a IATF (3 ou 4 manejos).

Em um trabalho recente (Mingoti et al., SBTE 2016), desenvolvido em parceria com a Ourofino Saúde Animal e publicado na reunião anual da Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões (SBTE) 2016, um dos principais encontros de pesquisadores e técnicos especialistas em reprodução animal do Brasil, tais questionamentos puderam ser totalmente elucidados. Os pesquisadores delinearam um estudo no qual foram comparados o protocolo de 3 manejos e 8 dias de implante de progesterona com o protocolo de 4 manejo e 9 dias de implante (Figura 1).

Figura 1: delineamento experimental (adaptado de Mingoti et al., Taxa de prenhez à IATF de vacas Nelore Bos indicus submetidas ao protocolo de 3 ou 4 manejos com CIDR® ou Sincrogest® novos e reutilizados. SBTE 2016)

 

Os resultados, baseados em um grande número de animais estudados e uma randomização adequada das fêmeas (todos os lotes tratados possuíam os 4 grupos experimentais), puderam acabar de vez com a dúvida demonstrando que a taxa de prenhez é semelhante ao se utilizar o protocolo com 3 ou 4 manejos. Entretanto, a ideia de se livrar de uma passada extra no curral, dando-se preferência para o protocolo com 3 manejos, é interessante por reduzir a mão-de-obra durante a estação de monta e facilitar o calendário das propriedades (Figura 2).

Figura 2: taxa de prenhez de acordo com os diferentes protocolos utilizados (adaptado de Mingoti et al., SBTE 2016).

 

Portanto, a utilização do protocolo para IATF com 4 manejos e 9 dias de dispositivo de progesterona promove a mesma taxa de prenhez em comparação ao protocolo com 3 manejos e 8 dias de dispositivo, com a vantagem de uma passada a menos no curral.

Mas então, quais modificações nos protocolos poderiam ser feitas para se aumentar a taxa de prenhez?

Alguns trabalhos recentes têm demonstrado o efeito da suplementação com progesterona injetável (Sincrogest Injetável) 4 dias após a IATF na taxa de prenhez. A hipótese seria a de que a progesterona poderia melhorar o ambiente uterino e o crescimento do concepto, favorecendo assim o estabelecimento da gestação. Publicado em uma importante revista da área, o trabalho de Pugliesi et al. (2016) demonstrou que, em vacas Nelore paridas e em anestro, a administração de 1,0 mL de Sincrogest Injetável 4 dias após a inseminação artificial promove aumento na taxa de prenhez (Figura 3).

Figura 3: taxa de prenhez após a IATF em vacas Nelore paridas e em anestro, de acordo com os grupos experimentais – Controle: sem tratamento adicional; P4-14: aplicação de 1,0 mL de Sincrogest Injetável 4 dias após a IATF (adaptado de Pugliesi et al., Theriogenology, v.85, issue 7, 2016).

Ainda, tal resultado foi confirmado em recente estudo também publicado na reunião anual da SBTE 2016 (Cova et al., SBTE 2016), em que foram utilizadas vacas Nelore paridas com menor ECC (escore de condição corporal) que o estudo anteriormente citado, randomizadas aleatoriamente 4 dias após a inseminação artificial em tempo fixo (Figura 4).

Figura 4: taxa de prenhez de acordo com os diferentes tratamentos – Controle: sem tratamento adicional; P4-D14: aplicação de 1,0 mL de Sincrogest Injetável 4 dias após a IATF (adaptado de Cova et al., SBTE 2016)

Deste modo a escolha pelo protocolo com 3 manejos pode ser favorável devido à economia de mão de obra e flexibilização do calendário da propriedade, visto que a adição de um manejo previamente à IATF não promove incremento na taxa de prenhez. Entretanto, trabalhos recentes vêm demonstrado os benefícios da utilização do Sincrogest Injetável 4 dias após a IATF (protocolo P4-14) que, apesar de aumentar uma passada no curral, realmente aumenta a taxa de prenhez. Portanto, o protocolo P4-14, com o 4º manejo é o que realmente melhora o resultado e pode ser uma importante estratégia a ser adicionada nos programas reprodutivos de vacas de corte.

REFERÊNCIAS

Mingoti RD, Freitas BG, Ramos RS, Bastos MR, Teixeira AA, Rezende MLG, Castro MW, Faquim A, Sá Filho MF, Baruselli PS. Taxa de prenhez à IATF de vacas Nelore Bos indicus submetidas ao protocolo de 3 ou 4 manejos com CIDR® ou Sincrogest® novos e reutilizados. Anais da XXX Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões, Foz do Iguaçu, 2016.

Cova MS, Lechinoski LC, Romero WSR, Freitas BG, Ramos RS, Antunes BA, Rezende MLG, Mingoti RD, Bastos MR. Aumento da taxa de concepção com o uso de progesterona injetável de longa ação 4 dias após a IATF em vacas multíparas e primíparas nelore paridas. Anais da XXX Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões, Foz do Iguaçu, 2016.

Pugliesi G, Santos FB, Lopes E, Nogueira E, Maio JRG, Binelli M. Improved fertility in suckled beef cows ovulating large follicles or supplemented with long-acting progesterone after timed-AI. Theriogenology, v.85, issue 7, p. 1239-1248, 2016.

 

SOBRE O AUTOR

Bruno Gonzalez de Freitas é médico-veterinário formado pela FMVZ/USP e mestre em reprodução animal pelo departamento de Reprodução Animal da FMVZ/USP.

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