07 mai 2018

Controle e tratamento da Cisticercose bovina

A cisticercose bovina corresponde a uma enfermidade cuja principal característica é a presença larvas parasitárias de tênia, os cistos de Cisticercus bovis na musculatura e em alguns órgãos dos bovinos. Este parasita faz parte de uma fase do ciclo da Taenia saginata (solitária), verme chato, medindo de 4 a 6 metros sendo encontrado no intestino de seres humanos parasitados. Para que as duas parasitoses ocorram é necessário que o ciclo se complete nas duas fazes, a teníase humana e a cisticercose bovina. Assim, um humano se alimenta da carne com cisticercose, quando estabelecida a infecção intestinal cresce uma “solitária” que em poucos meses irá liberar partes de seu corpo (segmentos ou proglótides) contendo aproximadamente 200 a 700 mil ovos liberados periodicamente nas fezes humanas. No Brasil, acredita-se que a prevalência da cisticercose bovina está entre 0,7 e 5,3%, dependendo do desafio local. Estima-se que cerca de 77 milhões de pessoas em todo mundo estejam infectadas com teníase (Taenia saginata), sendo as populações de maior risco: aldeias indígenas, assentamentos, presidiários, populações ribeirinhas, vilarejos e sitiantes onde o acesso ao saneamento é mais restrito. A proximidade de populações humanas e seus dejetos podem trazer riscos para os sistemas de criação a pasto ou terminação em confinamento, aumentam as chances de contaminação das pastagens, água e alimentos contaminados com ovos de tênias oferecidos para os bovinos. O trânsito de pessoas parasitadas pelos pastos aumenta os riscos de contaminação dos pastos com fezes contendo ovos e infecção dos animais. O despejo do esgoto das populações ribeirinhas e das vilas nos rios e córregos sem tratamento e que permitam o acesso de animais para dessedentação, predispõe a rebanhos com maior prevalência para cisticercose adquirida durante a cria, recria e engorda, mas identificadas apenas durante o abate.

Para tratar e controlar a cisticercose bovina é preciso identificar se o rebanho corre riscos ou não, através da identificação dos fatores: fonte de água dos animais, rios ou córregos que receberam dejetos de cidades, vilas, assentamentos e presídios, bem como o trânsito frequente de pessoas contaminando os pastos onde os animais se alimentam. No caso dos confinamentos é importante identificar se há fatores de risco dentro do sistema e a origem dos animais, acompanhando o abate, monitorando e correlacionando os resultados aos lotes e suas origens.

É importante vermifugar os animais com Ricobendazole 10 durante a recria, conforme o controle estratégico de verminoses. Nos sistemas de produção onde o risco é elevado é importante, além da vermifugação estratégica, instituir um programa de tratamento no final do sistema de produção, terminação a pasto ou confinamento. O programa de tratamento consiste na aplicação de Ricobendazole 10 antes do abate, totalizando três aplicações com intervalo de 30 dias (90-60-30 dias antes do abate). É importante destacar que serão necessários em média 50 dias após cada aplicação para a calcificação completa dos cistos mortos em cada aplicação.

Ricobendazole 10 é totalmente eficaz contra cisticercose bovina e todos os tipos de verminoses (nematelmintos, platelmintos, cestódeos, trematódeos, ostertagia tipo II, sendo ainda ovicida e larvicida).

Ingo Aron Sousa Mello

Gerente Técnico Saúde Animal

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