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Carrapato e gado leiteiro: é preciso entender o prejuízo e saber como evitá-lo

Bovinos

Terça-feira, 07 de Novembro de 2017

Por Marcel Onizuka, Pietro Massari e Marcelo Feckinghaus, do departamento Técnico da Ourofino Saúde Animal

O rebanho brasileiro atual está estimado em 218 milhões de cabeças. Desse total, em 2016, o efetivo de vacas ordenhadas foi de 19,62 milhões de cabeças, o que representa 9% do rebanho total. Os índices de produção do rebanho de vacas ordenhadas foram de 33,62 bilhões de litros de leite, o que gerou R$39,44 bilhões (preço médio R$1,17) para a economia nacional (IBGE, 2016).

No panorama brasileiro, a produção média foi de 1.709 litros/vaca/ano. A região Sul foi a mais eficiente com uma produção de 2.699 litros/vaca/ano. Em relação a 2015, os índices do rebanho de vacas ordenhadas em 2016 sofreram uma retração de 6,8% e os índices de produtividade de leite reduziram 2,9%, porém o preço médio pago por litro de leite aumentou 15,2%. Diante do cenário apresentando pelo IBGE (2016), pode-se concluir que a eficiência da fazenda foi determinante para o produtor de leite se manter sólido no mercado.

Existem diversos fatores que podem interferir na produtividade do leite, por exemplo, mastite, infecções de casco, problemas reprodutivos, desafios nutricionais e, nos rebanhos criados a pasto, as infestações por carrapatos geram prejuízos significativos.

Segundo Grisi et al., (2014) as infestações por carrapatos podem reduzir até 90 litros de leite numa lactação de 300 dias de uma vaca. Num cenário fictício, se for calculado o prejuízo financeiro com base no preço médio do leite a R$1,17 (IBGE, 2016), a perda por vaca seria de R$105,30. Num rebanho onde 100 vacas entram em lactação e não têm um bom controle de carrapato, o produtor pode deixar de ganhar aproximadamente R$10.530,00 ao ano.

O carrapato ocasiona esse prejuízo principalmente por causa do estresse que causa, pois além das picadas doloridas e do incômodo ocasionado nos animais, também tem a capacidade de transmitir doenças como o complexo babesiose-anaplasmose, popularmente conhecido por Tristeza Parasitária Bovina.

Os níveis das infestações por carrapatos estão relacionados a três fatores principais: taxa de lotação; temperatura versus umidade e raça dos animais. Quanto maior a taxa de lotação, maior é o desafio. As infestações aumentam quando a temperatura média está em 27ºC e a umidade igual ou maior que 70%. Os animais taurinos são mais suscetíveis do que os zebuínos (Leite et al., 2010).

Ao longo do ano os carrapatos têm um crescimento populacional dividido em quatro gerações. A primeira geração de carrapatos começa na primavera, a segunda no verão; a terceira no outono e a quarta se manifesta no inverno, sendo que, nessa última, a desaceleração no crescimento populacional dependente da intensidade do inverno (Leite et al., 2010).

Para conseguir obter um bom controle das infestações por carrapatos, é necessário que os tratamentos se iniciem na primeira geração, principalmente quando os carrapatos estão em fase de larva, porque esta é a forma mais sensível aos tratamentos.

Quando se trata de vacas em lactação, os cuidados devem ser redobrados, pois o período de carência deve ser respeitado para assegurar a segurança alimentar das pessoas que irão consumir o leite e os derivados produzidos. Um dos produtos mais eficazes contra os carrapatos é o Colosso FC30 (15% cipermetrina + 30% clorpirifós + 15% fenthion), ele é um carrapaticida que deve ser diluído na proporção 1:800 e pulverizado nos animais. A quantidade de produto pulverizada deve ser de 4 a 5 litros por animal.  Após o tratamento, o Colosso FC30 tem período de carência para leite de apenas 72 horas. Os intervalos de tratamentos com Colosso FC30 podem ser de 14 até no máximo 21 dias. Dentro de um ano devem ser realizados de 5 a 6 tratamentos como este.

Fazendo o tratamento preventivo e garantindo a segurança alimentar do leite produzido, o resultado virá com níveis excelentes de produtividade sustentável.

 

Referências bibliográficas

GRISI, L.; LEITE, R. C.; MARTINS, J. R. S. et al. Ressessment of the potential economic impacto f cattle parasites in Brazil. Braz. J. Vet. Parasitol. Jaboticabal, v. 23, n. 2, p. 150-156, abr-jun. 2014.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2016. Disponível em https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/84/ppm_2016_v44_br.pdf.

LEITE, R. C.; CUNHA, A. P.; BELLO, A. C. P. P. et al. Controle de ectoparasitos em bovinocultura de corte. In: Pires, A. V. Bovinocultura de Corte 2010. Piracicaba: FEALQ, v. II,. 2010. P. 1171 – 1187.

 

Foto: IStock

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